07/08/2019

Ninguém tem que saber

Tenho tanta coisa para dizer, no entanto as palavras não querem sair. Não sei por onde começar, qual o primeiro passo a dar e que caminho seguir a partir daí. 
Os dias misturam-se com as semanas e os meses. O tempo passa rápido demais, ou muito devagar. Hoje estou perdida, sombria, cinzenta como os dias de chuva que marcam este mês de agosto. Outros dias estou inteira, flutuante. 
Onde está a linha que separa estas duas pessoas? Onde está o interruptor que liga e desliga a melhor (ou pior) versão de mim?

Quando somos novos, achamos que quanto mais velhos formos mais vamos saber sobre a vida. Acreditamos que todas as respostas aparecem naturalmente e que as perguntas se dissipam no ar com cada meta que atingimos. Não podíamos estar mais errados.

Tenho 25 anos e sinto que cada dia que passa sei menos sobre quem sou. Cada dia tenho mais perguntas e menos respostas. Cada dia me perco um bocadinho mais. E sinto que nunca me vou encontrar. Por mais mudanças, por mais tentativas de olhar para o mundo de diferentes perspetivas, sei dentro de mim que nunca vou deixar de ser como sou. O bom é que já me tornei numa profissional a viver com esta personalidade.


Ninguém tem de saber que a miúda que bebe e sai todos os dias até às tantas às vezes sai a correr das discotecas porque tem ataques de pânico e fica horas a chorar no chão da cozinha. Ninguém tem que saber que a rapariga que é overachiever, trabalhadora, obcecada em evoluir na carreira, no fundo tem uma autoestima ao nível do chão e não acredita nas suas capacidades. Ninguém tem que saber que essa rapariga só chora quando está sozinha, porque tem que proteger pessoas que a deviam proteger a ela. Ninguém tem que saber porque eu não quero que me olhem assim.